Câncer do colo do útero

Imprimir PDF
Postado em Seg, 12 de Abril de 2010 Em Sobre o Câncer

No Brasil estimou-se que ocorreram no ano de 2008 casos novos de câncer do colo do útero. É o segundo tumor mais freqüente a acometer a mulher brasileira. No Piauí, Maranhão e Pará o número de casos novos estimados para 2008 foram respectivamente

 

Fatores de Risco:

Vários são os fatores de risco identificados para o câncer do colo do útero, sendo que alguns dos principais estão associados às baixas condições sócio-econômicas, ao início precoce da atividade sexual, à multiplicidade de parceiros sexuais, ao tabagismo (diretamente relacionados à quantidade de cigarros fumados), Estudos recentes mostram ainda que o vírus do papiloma humano (HPV) tem papel importante no desenvolvimento da neoplasia das células cervicais e na sua transformação em células cancerosas. Este vírus está presente em mais de 90% dos casos de câncer do colo do útero. Existem hoje catalogadas mais de 100 tipos de HPV. A Organização Mundial de Saúde estima que cerca de 30% da população mundial é portadora do HVP. No entanto a maioria dos portadores não tem nenhum sintoma. A maioria dos HVPs não está associado ao desenvolvimento do câncer, os principais envolvidos são o tipo 16 e 18. Não existe tratamento para vírus HPV, o que tratamos são as lesões que ele causa na vagina, vulva, colo do útero e ânus. Geralmente são lesões na forma de verrugas (chamados condilomas) ou lesões precursoras do câncer do colo útero chamadas neoplasias intra-epitelial cervical (NIC). As NIC podem ser classificadas em NIC I, II e III. A NIC III já é um câncer em estádio inicial com chance de cura de praticamente 100% se tratada adequadamente. NIC I pode regredir espontaneamente na maioria das pacientes, no entanto, na presença deste diagnóstico deve ser feito avaliação por um médico especialista.

PREVENÇÃO

A prevenção primária do câncer do colo do útero pode ser realizada através do uso de preservativo durante a relação sexual. A prática do sexo seguro é uma das formas de evitar o contágio pelo HPV, vírus que tem um papel importante no desenvolvimento de lesões precursoras e do câncer do colo do útero, vaginal, vulva, ânus e orofaringe.

A principal estratégia utilizada para detecção precoce da lesão precursora e diagnóstico precoce do câncer no Brasil é a realização do exame preventivo do câncer do colo do útero (conhecido popularmente como exame de Papanicolau ou exame de prevenção do câncer do colo do útero).

Lembrar que o uso de preservativo evita também a contaminação pela AIDS, outro grave problema de saúde pública no Brasil e no mundo.

Levando-se em consideração que 50% dos casais são infiéis esta postura deve ser considerada seriamente pelos casais.

O EXAME PREVENTIVO

O exame preventivo do câncer do colo do útero (exame de Papanicolau) consiste na coleta de material citológico do colo do útero, sendo coletada uma amostra da parte externa (ectocérvice) e outra da parte interna (endocérvice).

Para a coleta do material, é introduzido um espéculo vaginal e procede-se à escamação ou esfoliação da superfície externa e interna do colo através de uma espátula de madeira e de uma escovinha endocervical. Se houve um pequeno sangramento após a coleta do exame é normal, não devendo ser motivo de preocupação. A escovinha pode causar este sangramento ou se o colo estiver “inflamado” (cervicite).

Mulheres grávidas também podem realizar o exame. Neste caso, são coletadas amostras do fundo-de-saco vaginal posterior e da ectocérvice, mas não da endocérvice, para não estimular contrações uterinas e aumentar o risco de abortamentos.
A fim de garantir a eficácia dos resultados, a mulher deve evitar relações sexuais, uso de duchas ou medicamentos vaginais e anticoncepcionais locais nas 48 horas anteriores ao exame. Além disto, exame não deve ser feito no período menstrual, pois a presença de sangue pode alterar o resultado.

Toda mulher que tem ou já teve atividade sexual deve submeter-se a exame preventivo periódico. Devendo ser realizado anualmente. Pacientes virgens e pacientes histerectomizadas por doenças benignas não há indicação de prevenção com a finalidade de prevenção do câncer do colo do útero.

VACINAÇÃO

Recentemente foi liberada uma vacina para o HPV. Ela atua contra os dois principais vírus causador do câncer do colo do útero (sorotipo 16 e 18) e esta aprovada para ser utilizada em pacientes que não tiveram atividade sexual com idade entre 9 e 26 anos. São três doses, com reforço a cada cinco anos. Ela ainda não faz parte do calendário vacinal do Ministério da Saúde do Brasil. Mesmo as pacientes vacinadas, quando do início da atividade sexual devem realizar anualmente o exame de prevenção. Atualmente o grande empecilho para seu uso em larga escala é o custo , cerca de  500 reais cada dose.

SINTOMAS

Existe uma fase pré-clínica (sem sintomas) do câncer do colo do útero, em que a detecção de possíveis lesões precursoras é através da realização periódica do exame preventivo. Conforme a doença progride, os principais sintomas do câncer do colo do útero são: sangramento vaginal, corrimento e dor.

TRATAMENTO

O tratamento nas fases iniciais consiste somente na retirada do colo do útero, uma cirurgia simples (chamada traquelectomia ou conização), que geralmente não requer internação. As pacientes que se submetem a conização podem engravidar e levar a gravidez a termo na maioria das vezes.  Nas fases em que o tumor esta maior há necessidade da retirada do útero e dos linfonodos pélvicos um cirurgia chamada histerectomia radical. As pacientes jovens podem ter preservados os ovários, evitando os sintomas da menopausa. Quando o tumor já ultrapassou os limites do colo do útero o tratamento é com radio e quimioterapia exclusiva. Quando o tumor recidiva após o tratamento com radio e quimioterapia pode-se realizar uma cirurgia chamada exenteração pélvica, que apesar de ser uma cirurgia mutiladora , pode determinar controle da doença em até 60% dos casos.