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Como diagnosticar precocemente o câncer

O rastreamento representa a tentativa de se encontrar o câncer em fase inicial, quando as chances de cura são bem maiores do que em tumores diagnosticados (encontrados) em estágios avançados. Quando se fala em rastreamento é fazer em exame em pessoas que não apresentam nenhum sintoma. Se existem sintomas não se trata mais de rastreamento e sim de um paciente que precisa ser investigado para saber qual a doença que ele tem.

O rastreamento deveria ser realizado por toda a população de determinada faixa etária, para determinado tipo de tumor e com um tipo específico de tumor.

Para o rastreamento ser efetivo o tipo de câncer deve ser freqüente, o exame deve ser acessível, baixo custo e não trazer prejuízos para o paciente. E o mais importante, o diagnóstico precoce tem que alterar a evolução natural da doença, ou seja, ou doente viverá mais e com melhor qualidade de vida.

Por exemplo, não faz sentido fazer exame para procurar tumor da glândula suprarrenal, pois trata-se de um tumor que ocorre raramente.

No Brasil não existe um sistema de rastreamento populacional com cobertura adequada para todos os pacientes, apesar das tentativas do governo em estabelecê-los.

As recomendações pela maioria das sociedades médicas mundiais são:

1) Exame de prevenção do câncer do colo do útero (papanicolau) deve ser realizado a partir dos 25 anos de idade para as mulheres sexualmente ativas. Após dois exames consecutivos normais, deve ser realizado a cada 3 anos. Parar de fazer o exame de prevenção aos 64 anos de idade. Não está indicado em pacientes virgens e naquelas que se submeteram a retirada do útero por doenças benignas.

Na presença de sintomas( corrimento vaginal, dor, sangramento vaginal) a paciente deve ser examinada pelo médico.

Pacientes abaixo de 25 anos que apresentem sintomas devem ser examinadas também.

2) Mamografia anual a partir dos 40 anos de idade até os 69 anos. Depois do 70 anos discutir riscos e benefícios com o médico. O Ministério da Saúde do Brasil prioriza as pacientes a partir dos 50 anos de idade e a cada dois anos.

3) Colonoscopia aos 50 anos de idade (primeira) e a partir de então a cada dez anos. Ou anualmente realizar pesquisa de sangue oculto nas fezes. Este exame é realizado nas fezes. Se ele for positivo está indicado a colonoscopia. Sempre que possível indicamos a colonoscopia

4) Rastreamento do câncer de próstata: discutir com o especialista os riscos e benefícios desta medida. Os dados na literatura são conflitantes e o tratamento do câncer de próstata está associado a uma alta taxa de complicações como impotência, incontinência urinária e estenose uretral dentre outras.Não há evidência científica clara, neste momento, que a dosagem rotineira de PSA, toque retal e ultrassonografia para diagnosticar precocemente o câncer de próstata compense os riscos do tratamento. A maioria dos homens aos 80 anos de idade terão câncer de próstata e não morrerão do câncer de próstata e sim com o câncer de próstata. Quando há história familiar de câncer de próstata principalmente em idades mais jovens, deve-se fazer o rastreamento. A Sociedade Brasileira de Urologia recomenda o rastreamento com PSA e toque retal a partir dos 50 anos de idade. O Ministério da Saúde do Brasil não recomenda o rastreamento. Portanto a decisão deve ser feita pelo paciente após a discussão sobre os riscos e benefícios.

5) Para os fumantes de longa data ou ex-fumantes, a solicitação de tomografia de tórax, deve ser discutida com o paciente. Estudos recentes têm demonstrado o benefício da utilização deste exame na detecção precoce e diminuição da mortalidade. No entanto não está estabelecido quando iniciar e qual o intervalos entre as tomografias. Houve um aumento da taxa de cirurgia por lesões benignas no grupo que fez tomografia (BACH PB et al . JAMA 2012). E o benefício ocorre principalmente nos pacientes que estão dispostos a pararem de fumar.

6) O exame de PET-CT não está indicado no rastreamento do câncer. A indicação deste exame atualmente é para pacientes com linfomas, câncer de pulmão (não pequenas células), tumor de sítio primário desconhecido e câncer do intestino com metástase hepática para decidirmos se vale à pena operar ou não. Existem outras indicações menos usuais para este exame também. Neste momento (ano de 2017) a maioria dos pacientes com diagnóstico de câncer não se beneficiam deste exame.

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